South Park: A Fenda que Abunda Força – Review

South Park é uma série de grande sucesso, com mais de 20 temporadas e conta com alguns jogos, cuja maioria é irrelevante.

Em 2014 os criadores conseguiram lançar um bom jogo, que abusava das referências à cultura do RPG de mesa e histórias medieval-fantásticas, e que acertou no ritmo e no tom.

A Fenda que Abunda Força utiliza a mesma fórmula, mas peca no exagero com piadas de cocô, um ritmo bastante lento e possui uma mecânica esquisita, repetitiva e um tanto quebrada.

South Park é famoso por seu humor agressivo e exagerado, mas que no geral é bastante criativo e sabe usar bem as referências ao mundo real e autorreferências. O problema, para mim, em A Fenda que Abunda Força não é com esse tipo de humor, é apenas com a repetição de algumas piadas e a temática baseada em escatologia/coprologia. É um humor que não me agrada.

Para diferenciar de Stick of Truth, decidiram mudar a brincadeira das crianças de medieval fantástico para explorar o tema mais recorrente no cinema atual: super-heróis.

Você controla a criança que se mudou recentemente, que você pode tratar como o mesmo do jogo anterior, ou uma criança nova.

O jogo começa onde Stick of Truth parou, inclusive vemos o forte/castelo no início do jogo, e mostra a troca da brincadeira das crianças para a nova temática.

As crianças estão divididas em dois grupos, Guaxinim & Amigos e Amigos da Liberdade e esses grupos estão disputando que terá a franquia mais lucrativa, o espirito é de Guerra Civil.

A missão é encontrar um gato perdido e conseguir a recompensa de 100 dólares, que serão investidos na franquia.

A mecânica deixou de ser exclusivamente de batalha por turnos, para ser turno misturado com estratégia, o que seria muito legal, mas o espaço para movimentação nas batalhas é minúsculo e não permite muita variação. Se locomover entre os quadrados também é esquisito e truncado, um pouco irritante.

Cada personagem secundário tem uma habilidade diferente e isso permite optar por aqueles que complementam os poderes do seu personagem. Em algumas batalhas, um ou outro personagem é obrigatório, para seguir com a estória, o que não é um problema.

Seu personagem é “o escolhido” e é bastante overpower comparado com os demais. Você pode escolher 3 classes diferentes, que dão habilidades diferentes e que podem ser misturadas à vontade, com um limite de 4 habilidades, que podem ser alternadas e complementadas com itens que melhoram seus status.

Há também as mecânicas fora do combate. Você poderá atirar bombinhas, peidar e botar fogo nas coisas para abrir caminhos e derrubar itens. Aprenderá habilidades em conjunto que são ativadas em locais bastante específicos para explorar a cidade.

E as habilidades principais do jogo são o de usar seus peidos para controlar o tempo, como fazer ações serem desfeitas. O fato de ser com peidos é bobo, mas o efeito é útil e importante que podemos relevar.

O jogo possui alguns mini games e missões paralelas que ajudam a subir o nivel de suas habilidades. A ideia de tirar selfie com as pessoas da cidade e melhorar a reputação do seu herói é legal, agora, ter que jogar mini games para cagar e em determinado momento usar uma dinâmica muito semelhante para fazer lap dance é chato.

A cena do lap dance é daquelas extremas que te deixa desconfortável pela situação e que o fará se sentir imundo por rir.

No geral, o humor do jogo não funciona muito bem. Há diversos momentos engraçados, mas eles são tão espaçados, pelo erro na calibragem do ritmo do jogo, que o tédio é a sensação que está mais presente. Me parece que o jogo precisaria de mais alguns meses de testes para ajustar e equilibrar essas partes.

Parece um jogo mais sério, quando na realidade é apenas um jogo menos inspirado que Stick of Truth.

Merecem destaque duas características do jogo: a escolha de dificuldade usando a cor da pele e poder escolher as características de gênero, sexualidade e outras personalizações durante o jogo e que geram interações bastante engraçadas entre você e os demais personagens.

Ao final do dia, South Park: A Fenda que Abunda Força é um jogo mediano, que possui tantos acertos quanto erros e que pode gerar muitos momentos de diversão.


Renato Sevegnani

Formado em Ciências da Computação, por culpa dos jogos de computador e da BBS/internet, com especialização em qualidade de sistemas e atuando com certificação de sistemas de pagamento. Chato e coerente-incoerente. Profissional em começar jogos e livros e nunca terminar a maior parte deles. Prefere uma boa estória à qualidade gráfica, jogos por turno a tempo real. Acha que FPS tem que ser com mouse e teclado e que sensores de movimento são legais. Fã de dinossauros, Nintendo, cultura japonesa, cinema, zumbis, GURPS e Vampire. Quando lendo, prefere estórias fantásticas às com base no mundo real.


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