Sekiro: Shadows Die Twice – Como a morte e ressurreição afetam o gameplay

Morrer é fácil; voltar à vida, nem tanto


Quando o projeto Shadows Die Twice apareceu pela primeira vez com um teaser na The Game Awards 2017, deixou todo mundo ansioso para saber do que se tratava o novo título da From Software. Nem Bloodborne 2, nem Tenchu, mas uma IP completamente nova, que foi finalmente revelada na E3 2018, sob o título de Sekiro.

Quase dois meses após o anúncio oficial, pouco ainda se sabe sobre o novo jogo do estúdio responsável por Dark Souls e Bloodborne, agora em parceria com a Activision. Além do pouco que já foi revelado sobre o game, como o período histórico em que se passa, mecânicas de jogabilidade e a divergência para com seus antecessores, chegou a vez de sabermos como a morte – elemento recorrente nos jogos da série Souls – afeta o gameplay.

Já é sabido que Sekiro traz uma mecânica ainda não vista em jogos como Dark Souls ou Bloodborne; ao contrário dos títulos anteriores, ao morrer em Shadows Die Twice, como o subtítulo já sugere, o personagem não renasce no checkpoint mais próximo para regressar ao local de sua morte, mas retorna à vida imediatamente, no mesmo lugar em que pereceu, e o jogador continua daí, podendo, inclusive, usar a própria morte para surpreender os inimigos – que achavam ter ceifado a vida do personagem. Muitos podem achar que essa mecânica torna o jogo mais fácil, mas o homem por trás da From Software discorda.

“Provavelmente a melhor maneira de abordar a questão é estabelecer que, de fato, existe ressurreição no jogo. Há três maneiras que a morte influencia Sekiro: Para efeitos de jogabilidade e preservar a capacidade de se ter uma situação de risco; para usá-la criativamente; e porque a história do jogo gira em torno do conceito de ressurreição.  

Minha ideia de um guerreiro ninja, ao invés de um cavaleiro, é que ninjas não podem receber muito dano. Eles estão assumindo um enorme risco, eles são vulneráveis enquanto lutam. É a ideia de lutar no limite, é uma situação de risco na qual se você errar por um fio de cabelo, está acabado. Com um cavaleiro, as circunstâncias oscilam mais, há armadura e tal. Foi deste conceito de luta que a ideia de ressurreição surgiu. 

Com essa situação de combate, ou seja, de risco, o menor dos erro e você morre. E se você tiver que voltar toda vez que morre e retornar novamente para onde estava, o ritmo do jogo não ficaria muito legal. O conceito de ressurreição é que ajuda a tornar o jogo mais fluido. Sim, você tem essa batalha pela frente, mas você não precisa necessariamente voltar toda vez que morre, e isso ajuda a balancear essa questão e permite um tipo de jogabilidade mais arriscada ‘no fio da navalha’. 

Há uma coisa que eu gostaria de me certificar que não foi mal interpretado: o sistema de ressurreição NÃO foi implementado para tornar o jogo mais fácil. Pelo contrário, na verdade pode tornar o jogo mais difícil, pois nos permite tornar o combate arriscado ao limite em que o jogador pode morrer a qualquer momento.” – Disse Hidetaka Miyazaki, CEO da From Software, em entrevista ao site Playstation Blog.

Quanto ao funcionamento prático da mecânica de ressurreição, que provavelmente deve ser limitada para que os jogadores não abusem dela, Miyazaki-san diz ser cedo para poder entrar em detalhes, já que muita coisa ainda não está 100% finalizada. E Garante: ‘Só porque você possui essa mecânica de ressurreição, não significa que o jogador não terá medo de morrer’.

 

Sekiro: Shadows Die Twice ainda não possui data de lançamento, mas está previsto para chegar no começo de 2019, para Xbox One, Playstation 4 e PC.

 


Thiago Moreira

Apaixonado por videogames desde que se entende por gente, adentrou o mundo dos jogos eletrônicos ainda quando criança, através do saudoso NES, que lhe apresentou Mega Man, por quem nutre uma gratidão enorme. Tem como jogo favorito o sensacional Chrono Trigger, mas adora jogos no estilo Metroidvania e Souls Like, ainda que não seja dos melhores jogadores. Além de videogame, adora RPG, animes, mangás, quadrinhos e quase tudo que orbita a cultura geek em geral.


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