Power Rangers – Crítica

Criada pela Saban em 1993, Power Rangers se inspirou e adaptou o seriado japonês de grande sucesso que mostra equipes de heróis coloridos lutando para defender a Terra de monstros.

Quando criança eu assisti diversos seriados japoneses na TV, Changeman, Flashman, Kamen Rider, Jaspion, são tantos que seria difícil listá-los.

Com a estréia de Mighty Morphing Power Rangers na Rede Globo, o caminho natural foi assistir, e eu gostava bastante, assisti às três temporadas de Mighty Morphing, tive (e ainda tenho) o Megazord e fui ao cinema em 1995 assistir ao filme.

O tempo passou e eu deixei de lado os tokusatsu e me foquei nos animes, ou seja, Power Rangers ficou no passado.

Quando anunciaram que fariam um novo filme dos Power Rangers a mistura de nostalgia e preocupação acometeu o fã adormecido, afinal, muitas adaptações e reboots tentavam sugar nossos reais com trabalhos mal executados e tentando nos fisgar baseado em nossas boas lembranças.

O visual das armaduras não me agradou, o tom mais escuro remetia à uma seriedade que não estava em primeiro plano nas séries Super Sentai. Pouco sugeria que o novo filme seria bom.

A expectativa estava no chão e entrei no cinema torcendo pelo melhor. Torcendo por um filme divertido, nostálgico e que não jogasse no lixo a série.

O início nos apresenta Zordon (Brian Cranston) e Rita Repulsa (Elizabeth Banks) como Rangers, Zordon o Ranger Vermelho, Rita o Ranger Verde, com Rita desejando poder, traindo a equipe e matando seus companheiros. Em último esforço, Zordon atira Rita no mar gelado e ordena às moedas que encontrem novos Rangers.

Alameda dos Anjos, dias atuais. Somos apresentados aos jovens que se tornariam Rangers. O filme continua mostrando que será uma aventura bastante diferente daquilo que viamos na década de 1990.

Ao invés de jovens incríveis e perfeitos, temos garotos quebrados. Jason (Dacre Montgomery) cometeu um crime e está sob prisão domiciliar. Billy (RJ Cyler) agora é um garoto negro com grande inteligência, e aparentemente com certo grau de autismo. Kim (Naomi Scott) é a garota popular que caiu em desgraça no grupo. Trini (Becky G.) é uma garota anti-social que troca de escola a cada ano. E Zack (Ludi Lin) é um chinês problemático e preocupado em cuidar da mãe doente.

As cenas de apresentação dos personagens são bem interessantes e divertidas, utilizando bem diversos clichês de filmes adolescentes e de heróis e exploram bem as falhas dos personagens em cenas engraçadas.

O ar mais sombrio do filme é compreensível, afinal dificilmente o público geral aceitaria a galhofa do seriado. No geral essa ambientação funciona e respeita bastante o material original.

O design das armaduras realmente ficaram esquisitos, mas funcionam muito bem no contexto do longa.

O mesmo não pode ser dito dos Zords. Eles justificam que os Zords tomaram formas inspiradas nos seres que reinavam na Terra quando os Rangers chegaram à Terra há milhões de anos, mas dificilmente nas cenas você conseguirá definir a forma deles. Talvez os mais próximos sejam o Tiranossauro e o Pterodátilo.

Após apresentados os personagens, o andamento do filme é consistente, mesmo com algumas partes esticadas e lentas, funcionando bem, até o confronto entre os Rangers e Rita. Neste momento, o filme acelera para sua batalha final e solução e apresenta seus piores momentos.

Rita é uma boa vilã e mostra seu poder em todos os momentos. Mas é a única vilã. No seriado tinhamos seus subordinados, responsáveis por criar os monstros de barro e os monstros principais que seriam agigantados pelo cetro de Rita.

Para não ter que apresentar esses diversos personagens, Rita usa o cetro para criar os monstros de barro e para extrair o ouro da terra e gerar Goldar, um golem gigantes, com estrutura disforme que lembra vagamente o personagem que era seu braço direito na primeira temporada do seriado.

Quando os rangers finalmente pilotam os Zords, o tema da série toca em alto e bom som na caixa do cinema, extraindo um leve sorriso no rosto dos fãs. Leve, pois seu uso é bastante mal feito, ficando jogada em meio à trilha incidental que guia o filme.

A inabilidade e inexperiência dos jovens faz com que Goldar os derrote. Com a derrota dos zords individuais, magigamente surge o MegaZord. Ele é horrível. Eles focam nos movimentos de treinamento e vencem, jogando Rita para o espaço, para o gancho necessário para o segundo filme.

Fora esse final acelerado e errático, o filme consegue estabelecer o universo e seus personagens de maneira competente e permite a existência de uma continuação.

Vá ao cinema e assista Power Rangers, você vai se divertir.

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Renato Sevegnani

Formado em Ciências da Computação, por culpa dos jogos de computador e da BBS/internet, com especialização em qualidade de sistemas e atuando com certificação de sistemas de pagamento. Chato e coerente-incoerente. Profissional em começar jogos e livros e nunca terminar a maior parte deles. Prefere uma boa estória à qualidade gráfica, jogos por turno a tempo real. Acha que FPS tem que ser com mouse e teclado e que sensores de movimento são legais. Fã de dinossauros, Nintendo, cultura japonesa, cinema, zumbis, GURPS e Vampire. Quando lendo, prefere estórias fantásticas às com base no mundo real.


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