O Castelo das Águias – Ana Lúcia Merege – Crítica

Recebi, da Editora Draco, o livro O CASTELO DAS ÁGUIAS.

Castelo_das_aguias_Ana_Merege_MeiaLua_critica_Verta

Para localizar todos, segue o resumo da própria editora:

Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.

Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.

Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

Ao me deparar com a proposta desse livro, eu imaginei algo acontecendo em uma “Hogwarts” paralela, onde moravam também as enormes águias e senhores do ventos dos livros de Tolkien. Felizmente, eu estava bem errado nos dois aspectos.

A estória, contada toda em primeira pessoa, mostra o ponto de vista de Anna, uma personagem que tem a função de “narrador orelha” no início, pois também não conhece nada daquele mundo, uma vez que veio de uma vila na floresta, e também precisa ser apresentada à tudo que vai acontecendo.

Gostei muito de como isso foi feito, já que, ao termos acesso aos pensamentos da protagonista, vemos que ela se faz as mesmas perguntas que um novato faria num novo emprego e num novo país, se assim posso chamar. Isso deu um caráter de verosimilhança fundamental para que eu mergulhasse no enredo.

Com o passar do tempo, vemos uma evolução da personagem, inclusive com alguns passos muito estruturados para a formação de seu caráter perante à sociedade na qual está imersa. Assim como nós, leitores, vamos nos familiarizando com aquele mundo, a personagem também, de modo que ela deixa seu papel intrínseco de “orelha” e passa a ter ações mais fortes e acertivas, afetando até o ritmo da narrativa, que se torna mais fluida e menos descritiva.

Castelo_das_aguias_Ana_Merege_MeiaLua_critica_Verta

Como comentei antes, eu estava errado sobre minhas duas especulações prévias.

Achei que O Castelo das Águias seria uma espécie de Hogwarts, contando toda a história em cima da escola, com o ponto de vista das aulas e tudo mais. Entretanto, a vida dentro do castelo é descrita apenas o suficiente para que sejamos imersos ali, não passando por elaboradas definições do que é feito a cada dia da semana e nem nada do gênero, uma vez que a estória a ser contada precisa disso como pano de fundo e nada mais.

Outro ponto que diferencia é que, mesmo essas partes, são todas feitas no ponto de vista dos professores e não dos alunos, que são coadjuvantes. Além de todo o conceito de, mesmo sendo uma escola para magos, existir uma enorme preocupação com a produção dos mais variados tipos de arte dentro de seus muros.

A segunda especulação errada foram as águias. Definitivamente, não esperem as criaturas mostradas no Hobbit ou no Senhor dos Anéis. Aqui elas são personagens completamente distintos e foi muito gostoso acompanhar sua gradual relevância e aparição na história.


Já que falei um pouco sobre a forma narrativa escolhida e o contexto, queria falar um pouco do desenvolvimento que vi nesse livro.

Estamos muito acostumado, hoje em dia, de considerar um livro bom e que vale a pena, apenas se ele passar das 400 páginas, com personagens profundos e complexos como um oceano, onde a narrativa dá voltas constantes como uma montanha russa desgovernada. Vi discussões e críticas sobre isso no skoob, mencionando em como um livro de 200 páginas (196, na verdade) poderia se propor à desenvolver uma história boa.

Eu digo, como estudante de mitologias que sou, que essas pessoas, com essas ideias, estão perdendo MUITA coisa boa. O valor das lendas e das fábulas não está em sua complexidade física, se é que posso assumir esse termo, mas sim na sua profundidade interna.

 

O Castelo das Águias, me trouxe duas coisas muito importantes.

A primeira veio de sua narrativa e estrutura em si: Eu sou uma pessoa que adora ler na esteira, pois detesto fazer academia e/ou exercícios repetitivos, de modo que busco coisas que me distraiam brutalmente da atividade física maçante. Este livro me deu isso facilmente, com sua leitura fácil, remetente à um conto de fadas, ou seja, o objetivo de ter momentos de lazer e prazer com a leitura foram atingidos.

A segunda veio de conceitos muito mais profundos em mim mesmo, acordados pela ideia trazida entre as linhas e palavras: Novamente afirmo, uma lenda ou fábula raramente é profunda demais, mas ela tem o papel de fazer o interlocutor sentir e pensar. Isso também foi atingido aqui. Me peguei pensando em o que deve ser considerado como justificativa válida ao usar a natureza em prol da paz e da ciência, sem levar em conta os danos colaterais causados. Assim como, quão profunda pode ser uma crença, a ponto de que ela ser descartada seria visto como “crime”.

Se essas coisas não justificam ler um ler um livro, então eu definitivamente estou errado em meus conceitos.

Castelo_das_aguias_Ana_Merege_MeiaLua_critica_Verta

Entretanto, para não dizer que tudo são flores. Existem algumas poucas coisas que me desagradaram. A primeira é que a versão em e-book contém alguns errinhos, não sei se foram após a transformação do arquivo ou se também estão na forma física, mas não impedem a leitura de forma alguma. Eu é que sou chato com isso.

A outra é a questão comum dos contos de fadas. A protagonista aceitar casar depois do primeiro beijo. Mesmo eu, que sou amante de histórias da carochinha, tenho dificuldades em ver valor nisso para o resto da história.

Passando por cima disso que, por sorte não virou um romance melado, a estória não tem seu brilho reduzido de modo algum.

 

Portanto, queria terminar pedindo a todos que só querem um Martin da vida para ler: Não deixem a “tag” de Infanto-juvenil ou a quantidade de páginas se tornarem preconceitos ao escolher um novo livro para ler. Podem estar perdendo muito.

Links:

O Castelo das Águias

Editora Draco

Share On Facebook
Share On Twitter
Share On Google Plus
Contact us

Vertamatti

Seu primeiro nome é Guilherme mas isso não é lendário o suficiente, já que é descendente de Vertamus, o grande herói gales. Um dos criadores do Costelas e Hidromel, ex-engenheiro e atual jornalista/podcaster/escritor. Amante incorrigível de todas e quaisquer mitologias além de qualquer tipo de piada ou clichê. Debutou nos games com um Phantom System, achando que era o videogame original da Nintendo, e se envolveu 100% com este mundo desde então. Fã de qualquer boa história, particularmente de grandes heróis como Link, Ulisses, Hércules e Cuchuláin. Apaixonado por livros, filmes e HQs de toda sorte, escreve contos e viaja brutalmente na maionese tentando consciliar tudo que sabe das diversas mitologias e histórias da cultura pop. Sua gana por saber e ensinar lhe garantiu a fama de reencarnação de Athena nessa era, mesmo sem os longos cabelos roxos e seios fartos. Sua risada alta e fácil mantém os amigos por perto e lhe acarreta os mais diversos apelidos carinhosos (ou nem tanto…) como: Verta, Lendamatti, Saorimatti e até Thiamatti (sua deidade favorita).


  • Ana Lúcia Merege

    Muito obrigada, Guilherme! Fico feliz que tenha gostado do livro e te convido a conhecer a sequência, A Ilha dos Ossos, bem como os e-books da série.

    • Guilherme Vertamatti

      O prazer foi todo meu em ler essa obra Ana! Vou conhecer sim!

2012-2017 | Meia-Lua