Novo Outlast terá mudança em sua jogabilidade

 

Em dezembro passado, a Red Barrels anunciou que estava desenvolvendo o novo jogo da franquia Outlast. Tudo indicava que não ouviríamos muito sobre o jogo por um tempo, isso até a conferência Quo Vis em Berlim, onde o desenvolvedor do jogo anunciou que ele teria uma jogabilidade diferente dos anteriores, porém se ambientando no mesmo universo.

O jogo independente Outlast foi uma surpresa para muitos fãs do gênero de terror quando foi lançado em setembro de 2013. A temática de sobrevivência não era uma novidade no gênero, porém ter um personagem mais realista, que não sabe lutar ou possui o conhecimento para sobreviver em situações extremas, oferecendo apenas as opções de fugir e se esconder a ele, foi suficiente para despertar um tipo de medo diferente aos seus jogadores. Em um jogo de terror onde não era mais temido apenas os jumpscares, mas o próprio ambiente do sanatório – onde era impossível saber quando o encontro com um dos pacientes seria letal ou inofensivo – dava um clima de claustrofobia e insegurança, fazendo com que se necessitasse estar alerta o tempo todo.

Não ajudava nada o único recurso contra a escuridão também ser uma das ferramentas necessárias para jogar na pele do protagonista Miles Upsur: Sua câmera. Para progredir no jogo de forma segura, era necessário usar a visão noturna da câmera, porém a opção utilizava muita bateria, recurso finito difícil de encontrar no ambiente, o que obrigava o jogador usar ele com precaução. Ao mesmo tempo, faz parte da mecânica do jogo usar a câmera constantemente para gravar os acontecimentos dentro do Mount Massive Asylum, afinal, você é um jornalista e precisa fazer seu trabalho.

Por conta da história, ambientação e jogabilidade, que causaram medo e curiosidade constante aos seus jogadores, Outlast foi um grande sucesso, tanto que ele foi disponibilizado para o Playstation 4 e Xbox One em 2014 e para o Nintendo Switch em 2018. A franquia também teve a DLC Outlast: Whistleblower, que foi tão elogiada quanto o jogo original, em 2014. A sequência, Outlast 2 foi anunciada por conta dessa grande popularidade.

A jogabilidade de Outlast 2, protagonizada pelo jornalista Blake Langermann, foi similar ao jogo original, porém agora o personagem usava óculos – que quebram e dificultam a visibilidade caso o personagem caia ou seja atingido – e possuía uma barra de stamina para limitar o tempo de corrida do personagem, o que aumentou a dificuldade do jogo.

Essa jogabilidade difícil e estressante foi o grande atrativo da série de jogos, a notícia de sua mudança pode trazer muita insegurança aos fãs, pois o jogo acabar sendo mais fácil ou dar ao personagem a capacidade de se defender pode destruir seu atrativo. Além desses fatores, há a questão que a cada sequência, a chance da franquia perder seu foco ou se transformar de maneira muito drástica, fazendo com que ela perca suas características marcantes.

Philippe Morin, desenvolvedor da Red Barrels, disse o projeto atual da empresa demorou alguns meses para ser encaminhado, visto que a equipe de desenvolvimento procurava uma forma de balancear o que os fãs desejavam e o que eles desejavam, comentando que:

 

“Em grandes estúdios, eles podem dizer ‘se você estiver esgotado, nós podemos dar a propriedade a um time diferente’, mas esse não é o caso aqui” (Via Games Industry).

 

Antes do lançamento de Outlast 3 ainda teremos conteúdo adicional para o Outlast 2, portanto as chances são que a empresa irá fazer alguns testes com a mudança de jogabilidade e usar a recepção dos fãs antes de tomar grandes decisões. Outlast 3 ainda não possui previsão de lançamento.

 

Fontes: The Enemy, Games Industry


Laura Giordani

Laura Giordani é uma historiadora e estudiosa de imagens e mídias viciada em jogos, filmes, HQs, livros, podcasts, RPG, animes e séries. Quando não está tentando desvendar os mistérios da História e sua relação com as novas mídias, ou tentando navegar pelo seu quarto debaixo de pilhas gigantes de livros, pode ser encontrada em um canto meio iluminado jogando algum título da série Final Fantasy, Diablo ou Pokemon. Seus interesses literários são vastos, porém há preferência pelos temas de fantasia, ficção científica, cyberpunk e terror. Suas mais notáveis habilidades são: ingerir dezenas de litros de cafeína sem ter um ataque cardíaco e tagarelar por horas sobre nerdices sem parar.


2012-2017 | Meia-Lua