Medieval – Editora Draco – Review

Acabei de ler Medieval – Contos de uma era fantástica

Medieval Draco Merege Kasse Santos de Sa Alvares Review Meia Lua Verta Critica Literatura Contos Fantasia Fantastica

 A antologia de contos da Editora Draco Medieval: Contos de uma era fantástica traz várias histórias curtas passadas num dos períodos mais queridos de escritores e leitores. Porém, como grande parte das histórias e lendas dessa época tem seu devido toque de magia, essas prosas não poderiam ser diferente.

Escritos com carinho e revisados com cuidado, temos textos completos, personagens elaborados e enredos envolventes, mesmo tendo em média trinta páginas. Essa é a grande beleza de um conto, poder ser lido facilmente numa única sentada e dar o prazer de dever cumprido.

Não fugindo do mais esperado, o primeiro conto Erva Daninha escrito por Melissa de Sá abre a coletânea já mostrando para que vieram:

Esse conto acontece no período das cruzadas. Melissa toma cuidado de introduzir a magia presente nesse mundo de um modo sutil, delicado. Dentro do aspectos das conquistas religiosas, batalhas e outros embates, a mescla entre o real e o fantástico se define num drama voltado para diálogos e situações pessoais dos protagonistas. Gostei muito de ler essa história e acho que foi bem escolhida para me fazer “entrar no clima”.

O conto Sacrifício do Eduardo Kasse acompanha o conceito de magia sutil, mas em outro ambiente e de outra forma:

Esta narrativa acontece no território gelado dos nórdicos, onde um de quatro irmãos se encontra com uma entidade fantástica, sem saber se era real ou não, e recebe uma profecia. Kasse costuma ser um exímio descritor gutural em seus textos, aqui não é diferente. Usando um linguajar menos rebuscado, seus personagens ganham grande verossimilhança. A introdução da mitologia nórdica, seus ritos e crenças, assim como seus costumes em batalhas, deixam a narrativa intensa e ativa. Para amantes de enredos históricos, Sacrifício se mostra um prato cheio.

Em KitsuneErick  Santos nos leva para o outro lado do mundo e nos apresenta uma magia muito mais palpável:

Um samurai do Japão Feudal recebe a oportunidade de se transformar em raposa e receber os poderes fantásticos dessa criatura do folclore oriental. O uso intenso de metáforas e frases curtas dão um ritmo fluido para essa narrativa. Esparsas, mas precisas, adições de características fazem com que possamos imaginar todo o ambiente e saber o que passa na mente do protagonista, mesmo ele não nos contando diretamente. Esse conto se encerra, como muitos dessa antologia, com algo inesperado e que fecha bem aquela história.

No extremo da magia, Ana Lúcia Merege traz O Grande livro do Fogo:

Uma história diretamente do oriente médio, digna do livro das mil e uma noites. Esse enredo nos apresenta três protagonistas em busca do maior dos tesouros. Temos Jinns e ifrites, pássaros gigantes e cenários mutantes, tudo para desafiar o progresso da aventura. Merege sabe como nos prender num conto de fadas, trazendo todas as suas características mágicas e encantatórias, além do conhecimento entrelaçado com as linhas de enredo. Esse é um conto que pode ser lido até para crianças.

Assim como a magia pode estar presente no mundo medieval, A Flor Vermelha de Karen Alvares prova que o charme da realidade pura é tão merecedor de estar aqui quanto os outros contos:

A releitura e visão pessoal da autora dá vida à uma lenda Chinesa. Usando uma escrita emotiva, Alvares narra grandes batalhas sem a parte gutural, mas sendo tão intensa e imersiva quanto. Suas descrições são raras, mas colocadas em contextos que nos dá tudo que desejamos daquelas personagens, permitindo que nossa imaginação viaje ao seu lado e com sua protagonista, a Dama de Vermelho.

Por fim, esses são apenas algumas das histórias presentes em Medieval. Essa coletânea é riquíssima e recomendo muito a sua leitura, principalmente se gostam de histórias, Lendas e/ou Fábulas.

Deixo meu abraço fantástico e o link dessa obra!

http://editoradraco.com/2016/07/01/medieval-contos-de-uma-era-fantastica/


Vertamatti

Seu primeiro nome é Guilherme mas isso não é lendário o suficiente, já que é descendente de Vertamus, o grande herói gales. Um dos criadores do Costelas e Hidromel, ex-engenheiro e atual jornalista/podcaster/escritor. Amante incorrigível de todas e quaisquer mitologias além de qualquer tipo de piada ou clichê. Debutou nos games com um Phantom System, achando que era o videogame original da Nintendo, e se envolveu 100% com este mundo desde então. Fã de qualquer boa história, particularmente de grandes heróis como Link, Ulisses, Hércules e Cuchuláin. Apaixonado por livros, filmes e HQs de toda sorte, escreve contos e viaja brutalmente na maionese tentando consciliar tudo que sabe das diversas mitologias e histórias da cultura pop. Sua gana por saber e ensinar lhe garantiu a fama de reencarnação de Athena nessa era, mesmo sem os longos cabelos roxos e seios fartos. Sua risada alta e fácil mantém os amigos por perto e lhe acarreta os mais diversos apelidos carinhosos (ou nem tanto…) como: Verta, Lendamatti, Saorimatti e até Thiamatti (sua deidade favorita).


2012-2017 | Meia-Lua