For Honor – Review

Review feito a partir do Xbox One.

É realmente trabalhoso desenvolver um bom jogo para consoles atualmente. Além do público cada vez mais exigente e paradoxal, repentinamente parece que todas as grandes ideias foram utilizadas na era dos consoles de 32 bits, esticando até o bom e (não tão) velho ps2. Nesse contexto a Ubisoft resolveu apresentar uma ideia de certa forma inovadora chamada For Honor. Será que essa nova ideia é realmente boa, ou seria for honor na verdade uma desonra?

Desde que foi apresentado como proposta na E3 For Honor despertou curiosidade e grande expectativa em algumas pessoas. A Proposta do jogo seria levar o jogador a um campo de batalha como na idade média, com um multiplayer de até 8 jogadores simultâneos, e fazê-los sentir como se estivessem realmente combatendo em meio a uma grande batalha medieval.

Para atingir esse objetivo, For Honor nos apresenta um modo de campanha, diversos modos diferentes de multiplayer online e uma mecânica diferenciada. Não possui multiplayer local, trazendo um gameplay não convencional, além da batalha de facções (ideia que surgiu com Mortal Kombat X), personagens bonitos e muito bem caracterizados.

Pra quem não teve contato nenhum com For Honor, o jogo começa com um Tutorial –  que se repete no começo da campanha –  e ensina direitinho como movimentar o personagem, atacar, defender, esquivar, etc.

Em For Honor os botões de ataque são RB e RT e a movimentação é realizada com o analógico esquerdo, ao segurar o botão LT o jogador entra em modo de defesa e os movimentos defensivos são realizados movimentando o analógico direito na direção do ataque do personagem. Com o botão A podemos nos esquivar dos ataques dos inimigos e o botão X é usado para quebrar a defesa do oponente e dar “agarrões”, o botão B é usado para cancelar um golpe forte (RT). Durante alguns modos de multiplayer ganhamos pontos de renome, o que faz com que nosso personagem suba de nível durante a batalha e dessa forma ganha acesso a habilidades secundárias que são ativadas usando o direcional digital. Caso vença um oponente com um golpe forte, o jogador poderá aplicar uma execução usando ou o botão Y ou o botão X.

Os heróis de For Honor são divididos em 4 grandes classes: Vanguardeiros, Pesados, Assassinos e Híbridos que definem características gerais aos personagens. Cada um dos heróis possui sua própria peculiaridade e história – quem tiver vontade pode conferir no site oficial do game, ficou bem interessante – o que aprofunda o nível de imersão no jogo. Cada um pode ser customizado com roupas e outros itens que são liberados durante o jogo.

A campanha de For Honor é curta, o que não deveria ser nenhuma surpresa, já que o jogo desde sua apresentação tinha como foco o multiplayer, mas isso não faz dela uma campanha ruim, talvez se fosse um pouco mais longa ela poderia se tornar repetitiva, uma vez que os elementos que tornam For Honor um jogo bem divertido estão exatamente na interação e no calor da batalha com outros jogadores.

Na campanha você joga com todos os Heróis em 3 histórias complementares.

Não há nada de especial na campanha, com exceção de Apollyon.

O jogador encarna um dos heróis, sai matando tudo o que se mexer na sua frente, encontra alguns segredinhos, pra não ficar um tédio, e vai completando as missões que vão surgindo. As animações complementam e embelezam tudo enquanto o jogador liga seu cérebro no modo Kill Kill. Sabe quando assistimos a aquelas ceninhas pré renderizadas onde os personagens fazem coisas que durante o gameplay o jogador não tem como fazer? Então, nesse jogo a coisa é um pouco diferente, os cinematics não ficam tão distantes do gameplay real. E de certa forma a campanha não é tão vazia como descrito acima, ela merece ser conferida e é divertida.

O ponto forte de For Honor certamente está no multiplayer, enfrentar outros jogadores online pode se mostrar uma experiência bem mais divertida do que parece, mas para jogar no modo multiplayer você deve obrigatoriamente vencer a IA do jogo em um duelo. Mas se prepare, ela não dá colher de chá.

Os modos multiplayer são:

Dominação (Dominion) – Batalha 4×4 em que o objetivo é conquistar os pontos A, B e C de cada mapa e alcançar o maior número de pontos matando outros jogadores, NPCs ou Heróis controlados pela IA do jogo.

Mata-Mata (DeathMatch)  – Batalha 4×4 que pode ser de Eliminação, uma disputa direta de 5 rounds entre os oito jogadores (ou jogador vs IA), onde o time vencedor é aquele que sobreviver mais rounds ou o modo Conflito, uma batalha parecida com o modo Dominação, mas que acontece em mapas maiores e diferentes com mais NPCs e sem a necessidade de conquistar pontos específicos do mapa.

Duelo e Briga (Duel & Brawl) – São disputas de 5 rounds de 1×1 ou 2×2 (jogador vs jogador ou vs IA), em que o vencedor é o jogador ou time sobrevivente.

Todos os cenários possuem seus perigos como valas, paredes com espinhos, penhascos e etc.

As batalhas fazem muito mais sentido quando o oponente é outra pessoa no campo de batalha, nesse momento perfil psicológico e estratégia de combate do jogador contam mais que sua intimidade com os controles do jogo.

Seria injusto não comentar a IA do jogo. A impressão é que os desenvolvedores não pouparam esforços para criar as melhores interações possíveis no multiplayer. Muitas vezes a única distinção entre jogadores humanos e a IA do jogo é a palavra [BOT] na frente de um nickname qualquer.

For Honor possui imagens muito bem detalhadas e coloridas, tanto nos cenários quanto nas armaduras dos personagens, mas algumas vezes a quantidade de informação na tela deixa tudo meio confuso e poluído.

A movimentação dos personagens é bem realista, o que favorece a proposta de gameplay. Isso significa que você não verá um personagem grande e pesado batendo mais rápido que o Seiya ou um personagem leve rachando concreto igual ao Hulk. Mas está tudo muito bem balanceado.

For Honor possui seus pontos fracos e chatos. É comum surgir um erro de conexão no meio de uma partida e vc ir parar no limbo do menu inicial. A mecânica não é tão simples quanto parece, o que deixou muita gente nervosa (mas nada que um pouco de treino não resolva). A campanha curta e direta pode ser alvo de reclamação, embora provavelmente tenha a duração certa, terminando antes de surgir o tédio.

For Honor foi uma aposta corajosa, com uma mecânica nova, visuais muito bonitos e pode ser uma experiência bem divertida, principalmente se for para jogar online com os amigos.


Alan Gerardi

Formado em educação física, estuda atualmente Jogos Digitais na Universidade de Araraquara. Ingressou no “cyber mundo” dos vídeo games antes mesmo de aprender a escrever seu próprio nome, e tem os jogos como sua grande paixão. Viu o lançamento de jogos como DoubleDragon, Altered Beast, Street Fighter II e muitos outros. Assistia Street Fighter II V, Fly e Dragon Ball no SBT aos sábados de manhã.


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