FIFA 18 e o Retorno de Hunter – Review

A franquia anual de futebol da EA teve sua mais nova edição, FIFA 18, lançada no dia 29 de setembro e nesta segunda edição utilizando a Frostbite, poderiamos ver os aprendizados dos desenvolvedores e os ajustes feitos no excelente FIFA 17.

Em 2016 joguei bastante o FIFA 17, que mostrou grande competência do time de desenvolvimento em trabalhar com um motor gráfico novo (Frostbite) e manter a qualidade visual e de acabamento das edições anteriores e apresentaram um modo estória bastante interessante, apesar de um pouco decepcionante, A Jornada.

FIFA 18 chega para manter a dominância sobre o rival e aproveita os comentários da comunidade para fazer ajustes, tanto na jogabilidade quanto na forma de apresentar a estória de Alex Hunter.

 

Jogabilidade

 

A impressão que passa é que FIFA 18 ficou um pouquinho mais lento, mais cadenciado, e que em contraponto permite jogadas de contra-ataque mais ágeis e mortais. Pode parecer que são características que não casam, mas vou tentar explicar.

Ao jogar, é necessário pensar mais rápido na jogada, pois a marcação parece mais ajustada e o bote dos defensores um pouco mais ágeis, ao mesmo tempo que é importante não acelerar muito a sequencia de passes, pois as aberutras para acertá-los estão um pouco menos frequentes.

Agora, no contra-ataque a situação muda, você precisa ser rápido e o jogo permite isso. As enfiadas de bola para a velociadade dos atacantes estão mais mortais, está mais fácil colocar o atacante em vantagem contra os defensores e ficar cara-a-cara com o goleiro.

Falando nos goleiros, me parece que os ajustes não foram muito bons. No FIFA 17 os goleiros falhavam em situações estranhas, mas no geral, eram paredes frente ao gol. Agora no 18 a situação é oposta, quase remetendo aos antigos FIFA pré-2000, chutando nas diagonais o gol é muito mais provável (para não dizer quase certo).

Claro que com a internet os jogos são constantemente atualizados e diversos detalhes mudam a cada atualização. Neste feriado de finados, inclusive, houve uma que dificultava um pouco os passes em ângulos específicos, exigindo mais precisão do jogador.

Uma outra situação que ganhou ajustes muito bem vindos foi as cobranças de bola parada, principalmente as faltas. Acertar os chutes está mais fácil e intuitivo. Entretanto, continuo achando as cobranças de pênalti ruins, um ajuste na opção por chutes mais altos ou mais baixos seria algo muito bem vindo.

Jogar FIFA continua sendo desafiador e se tornou uma experiência mais divertida, havendo um bom equilibrio entre simulação e arcade.

 

Modos de Jogo

 

FIFA Ultimate Team é um dos modos mais queridos pelos jogadores e com razão, é muito interessante tentar montar seu time com os melhores jogadores e ser desafiado em mantê-los, já que eles estão sujeitos à contratos que limitam a quantidade de vezes que poderão entrar em campo.

Joga contra o FUT o menu extremamente complicado e confuso, que não funciona na maioria dos modos de FIFA 18, e no Ultimate Team é ainda mais incomodo. Se pudesse solicitar uma mudança para FIFA 19 seria o redesenho de todo o sistema de menu.

O Modo Carreira continua disponível e perde a graça a cada ano. Para tentar impulsionar esse modo, incluiram animações ao estilo d’A Jornada nos momentos importantes de suas carreiras de técnico e jogador, mas são apenas maquiagem, não acrescentam nada muito interessante e continuamos não sentindo o peso das decisões tomadas durante a temporada.

Há também os modos de jogo online, partidas avulsas, campeonatos e o mais novo chodó: Pro Clubs.

No modo Pro Clubs você cria um jogador e se une a outros jogadores online para montar um time e, jogando juntos em partidas de até 11 contra 11, alcançar a glória.

 

A Jornada: O Retorno de Hunter

 

Chegamos ao modo de jogo que me fez voltar a jogar FIFA: A Jornada.

Quando anunciado em 2017 eu estava muito empolgado, poderia acompanhar a trajetória de um jovem jogador em busca do sucesso no mundo da bola.

Havia muita expectativa e muita promessa e em 2016 isso me trouxe uma certa decepção. Hunter é um personagem interessante, as animações são muito bem feitas, o início da trajetória era cativante e tenso, mas com o passar da temporada a escassez de interação com Hunter ia abatendo o ânimo, pois A Jornada ficava muito próxima ao modo carreira, tinhamos apenas que jogar e buscar resultados, pouco importava o que Hunter fazia fora de campo e pouco importavam suas escolhas nas interações com os demais personagens. Para piorar, não importava o quão bem você jogava nos primeiros jogos, você era emprestado para um time da segunda divisão.

Como primeira tentativa, podemos relevar alguns problemas, principalmente devido ao tamanho do projeto que é FIFA e conseguir implementar tudo isso que não fazia parte do jogo de futebol e nunca havia sido tentado pelo time de desenvolvimento da EA Sports.

Tendo isso em vista, o Retorno de Hunter precisaria evoluir muito na parte narrativa, inclusive colocando esta em primeiro plano.

Deixei para jogar A Jornada por último, me acostumei primeiro com o jogo antes de acompanhar a evolução de Hunter. No FIFA 17 eu comecei pela Jornada, apanhei bastante da jogabilidade e isso influia no desempenho de Hunter, não queria essa mesma situação em FIFA 18, afinal, Hunter precisaria ser melhor em campo do que havia sido na temporada anterior.

A primeira decisão que precisa ser tomada é: importar ou não o save de FIFA 17 para FIFA 18 e já aqui eu vi um pequeno problema. Eu joguei a Jornada 2x, para analisar o peso das escolhas. A segunda tentativa eu parei no meio da temporada, não ganhei a Copa da Inglaterra. FIFA 18 não me permitia escolher entre os 2 saves, só permitia usar o último. Comecei assim mesmo e há uma mudança no diálogo inicial, mas aparentemente é só esse o impacto. Uma primeira impressão ruim, considerando que as decisões pareciam continuar irrelevantes.

O início coloca Hunter em final de férias, no Rio de Janeiro e dá um gostinho de FIFA Street no meio de uma favela. É apresentado um jogador brasileiro fictício que espero ver em episódios futuros da Jornada.

Somos apresentados a um sistema de decisões mais extenso, algo que realmente impacta a história de Hunter. Mesmo sendo poucas as decisões desse tipo, é algo extremamente benéfico e bem vindo, elas fazem a minha jornada ser diferente da sua.

Outra melhoria muito agradável é: a quantidade de animações que mostram a vida de Hunter e que permitem que interajamos e tomemos decisões é enorme. Praticamente entre todas as partidas elas são apresentadas. Excelente.

A trajetória é de Hunter e isso causa uma situação que é muito forçada logo no início e que incomoda. Hunter tem um sonho e ele pede à diretoria ser colocado na lista de transferências. Esta não seria a minha decisão, mas o jogo não permite que eu a tome, afinal, ele tem uma história a contar. É um pouco complicado em um modo que vende a possiblidade de guiar a trajetória do personagem e você ser barrado da forma como é mostrado. Acho que faltou cuidado nesta parte do roteiro. Precisavam ter vendido ao jogador esse background de Hunter para que soasse natural.

Passado esse momento, assim como na Jornada de FIFA 17, somos jogados em outro clube, precisando provar que Hunter é um grande jogador e pode dar a volta por cima da polêmica criada. E é nesse trecho do jogo que a Jornada brilha.

O roteiro continua sendo simples, os dramas vividos por Hunter e os diálogos continuam sendo rasos, mas a evolução da qualidade narrativa é notável e merece elogios. A tentativa de Hunter provar seu valor era crível e palpável, era possível sentir a senso de urgência.

Há crítica de que Hunter é meio babaca no momento que confronta o pai, e sim, ele é. Ele é também um adolescente de 18 anos. Ser um pouco arrogante, achar que sabe de tudo, principalmente quando é um prospecto de craque do futebol, é uma caracterização crível e isso é mais importante. As falhas são importantes para que cresçamos.

Joguei bem, ajudei o time a ser campeão, alcancei os objetivos, mas tudo isso é feito em metade da temporada, já que o calendário é diferente do europeu nesse campeonato.

Após ser campeão, entra uma animação da comemoração e eu descobriria qual seria o próximo passo da vida de Hunter, mas ocorreu uma falha grotesca no jogo.

Ao carregar a animação, o menu ficou por cima dela. Tentei esoclher avançar, no menu. Tela preta.

Aguardei. Nada.

Fechei o jogo, abri novamente. Havia perdido aquela animação da história, mas tudo bem, o jogo seguia, havia mais o que fazer.

Avancei no tempo, mostrou um treino. Avancei novamenete, outro treino. Abri o calendário, nenhum jogo listado. Fechei o jogo novamente, reabri. A cada avanço, um treino e mais nada.

Olhei o feed de rede social do jogo, havia menção de que eu havia me machucado e me desejavam boa recuperação. Certo, mas como que eu ainda treinava?

Avancei até 31 de maio de 2018: Achievment – Jornada Completa.

Fui ao YouTube, vi que eu devia ter experienciado muita coisa com Hunter e que não vivenciei por conta de um bug. Só podia lamentar. Duvido que exista solução. Eu teria que jogar tudo novamente. Não farei.

Novamente, fui frustrado pela Jornada. Desta vez por algo que, espero, seja exceção.

 

Conclusão

 

FIFA 18 continua a evolução de FIFA 17, corrige grande parte de seus problemas, principalmente na Jornada, modificou a jogabilidade para adequar ao que a comunidade pediu e continua se ajustando com as atualizações. Com certeza um grande jogo, os fãs de futebol continuam bem servidos com FIFA. Permanece a necessidade de redesenho de menus.

FIFA 18 está disponível para Xbox One, PlayStation 4 e PC.

PS: Há também a versão de Switch, mas este é outro jogo, feito em outro motor gráfico, então nada do que está escrito neste review vale para essa versão.


Renato Sevegnani

Formado em Ciências da Computação, por culpa dos jogos de computador e da BBS/internet, com especialização em qualidade de sistemas e atuando com certificação de sistemas de pagamento. Chato e coerente-incoerente. Profissional em começar jogos e livros e nunca terminar a maior parte deles. Prefere uma boa estória à qualidade gráfica, jogos por turno a tempo real. Acha que FPS tem que ser com mouse e teclado e que sensores de movimento são legais. Fã de dinossauros, Nintendo, cultura japonesa, cinema, zumbis, GURPS e Vampire. Quando lendo, prefere estórias fantásticas às com base no mundo real.


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