[TOP 5] Fallout: De Diamond City a Necropolis

Conheça os melhores jogos de uma das mais famosas séries pós-apocalípticas e um pouco de sua história.

A série pós-apocalíptica da Bethesda nunca foi tão popular. Desde que Fallout 4 foi anunciado na E3 2015, para o bem ou para o mal, todos falavam dela. Alguns reclamavam dos altos preços cobrados pela distribuidora e do bizarro sistema de diálogos, outros se deliciavam ao finalmente poder construir seu próprios refúgios sem o auxílio de mods.

Há algumas semanas atrás, quando Fallout 76 foi anunciado, não foi diferente, o assunto que parecia já ter perdido seu brilho radioativo volta a toda a velocidade, como uma Nuke Bomb e irradiando mais do que Atom City depois de explodida.

Fallout, no entanto, tem mais de uma década de história e definitivamente não se resume a esses dois títulos. Mas com tantos jogos, como saber quais são os melhores e principalmente, qual a melhor porta de entrada para aqueles nunca tiveram contato com a série?

Shooter ou FPS, eis a questão

Antes de prosseguirmos é importante diferenciarmos FPS, shooter e FPS shooter. Isso pode parecer óbvio ou até mesmo banal, mas acredite, é algo muito importante quando se trata de Fallout, principalmente quando nos referimos aos últimos jogos da série.

FPS Shooter ou Tiro em Primeira Pessoa, como foi traduzido nas terra tupiniquins, é um subgênero de jogo focado em combate com armas de fogo no qual você literalmente vê tudo através dos olhos do protagonista, como se o jogador e personagem fossem o mesmo observador.

No entanto é importante lembrar que nem todo o FPS é necessariamente um shooter e da mesma maneira, nem todo o shooter é um FPS. No caso da série de RPG pós-apocalíptico da Bethesda, a maioria dos títulos possuem câmera em primeira pessoa, mas alguns são focados mais em tiroteios e ação do que outros. Enfim, existem doses diferentes (ou até mesmo a inexistência) desses dois elementos em cada um dos jogos.

1- Fallout: New Vegas – menos altruísmo e mais Vegas, baby!

Fallout New Vegas foi desenvolvido por nada mais nada menos do que Black Isle, que após passar por alguns problemas financeiros adotou o nome de Obsidian Entertainment. Para quem não conhece, a equipe foi responsável por alguns dos melhores RPGs já desenvolvidos, como Planescape: Torment, Star Wars: Knights of the Old Republic II e recentemente Pillars of Eternity II: Deadfire.

O jogo se passa na áreas que hoje conhecemos como Las Vegas e deserto de Mojave no ano de 2281, quatro anos após os acontecimentos de Fallout 3 e apesar de não ser uma sequência direta do mesmo, ele é mecanicamente semelhante e faz algumas referências ao terceiro jogo da série.

Possui algumas mecânicas únicas como um sistema disfarce, no qual ao colocar a roupa de uma determinada tribo ou facção, faz com que você se passe por um membro da mesma podendo assim se infiltrar em locais restritos sem a necessidade de um alto nível de carisma ou furtividade.

Missões como One for me Baby e Come Fly with Me podem ser resolvidas de inúmeras maneiras, algumas delas simplesmente usando seu carisma para convencer os NPCs e furtividade para investigar, fazendo com que muitas dos seus desafios sejam superados sem derramar uma gota de sangue sequer.

Ainda com relação as quests, New Vegas possui alguns dos temas mais adultos da série. Além de escravidão e religião, já presentes em títulos anteriores, agora sexo e canibalismo são elementos fortemente presentes na trama, aliás, agora seu próprio personagem pode ser um devorador de carne humana ao escolher o perk Cannibal.

2- Fallout 4 – Quando modernidade e acessibilidade se encontram

O mais novo e melhor porta de entrada da série Fallout. Ao mesmo tempo, indiscutivelmente, o que possui os melhores gráficos, as mais complexas e acessíveis mecânicas, mas essa “facilidade”, no entanto, teve um preço, que deixou os fãs da série a desejar.

Para conquistar um novo público, a Bethesda fez com que Fallout 4 tivesse menos RPG e mais elementos de ação. Em alguns aspectos, o jogo se assemelha muito a um MMORPG – todos os inimigos possuem níveis e as armas são coloridas de acordo a raridade.

No entanto, o pior de tudo foi o que ocorreu com sistema de diálogo, que está curto e simplificado de tal maneira que, às vezes, durante uma conversa, dependendo de sua escolha, é impossível prever como personagem irá agir (a opção “Sarcasmo”, por exemplo, é algo muito vago), se ele gratuitamente ofenderá seu interlocutor ou dirá algo criativo que impressionará o mesmo.

A desenvolvedora, apesar disso, percebeu seu erro e tentou se redimir ao criar novos conteúdos de qualidade para o game como Fallout 4: Far Harbor e Fallout 4: Automatron, que trazem de volta os longos diálogos e introduzem missões investigativas.

3- Fallout 3 – Porque os clássicos nunca morrem

Talvez um dos jogos mais icônicos da franquia atualmente, Fallout 3 não foi apenas um “divisor de águas” dentro da série, como também dividiu a crítica especializada e os fãs. Sim, Fallout 4 não foi o primeiro a inovar mecânicas, mas com certeza foi aquele que foi encarado com maior dureza, principalmente com mudança de câmera e a inserção de elementos de shooter.

Caso você não saiba, os primeiros jogos da série tinham uma visão isométrica, que permite acompanhar seus personagens a distância, o que contribui para desenvolver movimentos estratégicos. Algo que lembra um pouco Divinity: Original Sin e o próprio Planescape: Torment.

Isso todavia estava longe de ser o fim do mundo e sim, os fãs sobreviveram a mais essa guerra. Além do que, você também pode alternar a câmera a qualquer momento do jogo para terceira pessoa, mas precisamente para as costas do personagem, a escolha do jogador.

Fallout também não se tornou um jogo de ação, pois a partir dessa edição ele passa a contar com um novo sistema de batalha que, da mesma maneira que a câmera, também é opcional, o V.A.T.S. ( Vault-Tec Assisted Targeting System), que transforma o sistema de batalha de ação para um inovador combate por turnos, mais uma tentativa da Bethesda em agradar ambos os públicos.

Mas foram exatamente por causa dessas mudanças que o título se destacou tanto. A alteração do modo como os jogadores interagem com o protagonista e tudo ao seu redor tornou o jogo muito mais acessível aqueles não tiveram contato com outros CRPG ou mesmo, achavam o subgênero difícil e monótono (não, definitivamente, não é o meu caso).

4- Fallout – Nunca esqueça seu Vault de origem

Para algumas pessoas apenas o primeiro e o segundo jogo são realmente os melhores da série e não é para menos, passar de um clássico e imersivo RPG de visão isométrica para um FPS com elementos de shooter é uma mudança muito radical e até mesmo difícil de aceitar.

É claro que os gráficos e algumas mecânicas já estão mais do que datados, mas sua trama continua atual e com certeza surpreenderá o público mais jovem, além de ser um dos maiores representantes de seu gênero e temática.

Além disso, foi aqui foram que algumas das raças e facções que hoje são marcas registradas e presentes em todos demais jogos tiveram sua primeira aparição, foi o caso dos Ghouls, Death Claws, Super Mutants e Brotherhood of Steel.

  5- Fallout Shelter – Wasteland all the time

Se lembram daquela notícia em que a Bethesda estava processando a Warner e Behaviour por plágio? Então tudo isso aconteceu exatamente por causa desse jogo.

Fallout Shelter foi anunciado e imediatamente lançado para iOS na E3 2015 como uma espécie de aperitivo grátis para Fallout 4, mas se tornou muito mais do que isso. O jogo simula um Vault que é internamente construído e gerenciado por você. Em outras palavras, ele é o único dos jogos citados que não é um um RPG nem um FPS shooter, mas que você pode jogar onde e quando quiser.

Com organização e mecânicas semelhantes a quartel general de XCOM 2, ele é bem mais complexo e divertido do que os RTS e jogos de gerenciamento para mobile, em geral. Sua liberdade no momento de arquitetar seu Vault é enorme, você pode criar salas, gerenciar recursos e expandir o número de habitantes.

Além disso, desde seu lançamento, o jogo recebeu vários conteúdos extras como quests, personagens e trajes icônicos da franquia.

Sucata para todos os gostos

Bem, deve ter ficado claro que para mim Fallout New Vegas sempre será o melhor da série, pois possui as melhores quests e companions. No entanto, para aqueles que nunca tiveram contato com a série, recomendo começar por Fallout 4, que possui gráficos mais modernos e mecânicas intuitivas, além é claro, de ser o único que permite você construir seu próprio refúgio e gerenciar sua comunidade. Mas se você desenvolveu algum interesse por qualquer dos outros títulos citados, vá em frente, porque se você gosta de RPGs e boas histórias, não irá se decepcionar.

Eu definitivamente não sei o que esperar da série de agora em diante, mas sei que da mesma maneira Elder Scrolls Online, Fallout não se tornará um multiplayer massivo. Fallout 76 é apenas mais um spin-off da série, que pode se pode vir a ser um ótimo jogo dentro do seu gênero, como foi Fallout Shelter, mas com certeza, não apagará o belo brilho (verde fosforescente) da série principal.

De qualquer maneira, em breve, faremos um Preview e posteriormente, um Review de Fallout 76, além de sempre mantê-los atualizados com as últimas notícias. E você, meu caro leitor, curtiu esse top 5, concorda, discorda ou até mesmo tem algo a acrescentar? Então não deixem de comentar!


Um babaca obcecado para alguns, um grande entusiasta para outros, Manoel Siqueira é redator, podcaster, editor, youtuber e tudo mais o que for necessário. Formado em Análise de Sistemas, Filosofia e atualmente cursando História. Aficionado por Fallout e Monster Hunter. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Ele, no entanto, não é um homem de um jogo só e está semanalmente tendo contato com novos títulos.


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