Esquadrão Suicida – Crítica

Juntar um grupo de personagens desconhecidos e apresentá-los ao mesmo tempo ao público é um desafio complicado, pois há risco de não nos importarmos com eles.

Esquadrão Suicida assumiu que seria um problema e fez a apresentação de todos logo no início, utilizando Amanda Waller (Viola Davis) como mestre de cerimônias, explicando como cada um dos vilões foi capturado e estariam à disposição para estabelecer a Força Tarefa X, que visa defender os humanos de meta-humanos que pensem em não cumprir as leis.

Não é um modo elegante ou ideal, mas resolve o problema e permite que o espectador entenda minimamente os personagens e que o diretor siga contando a estória sem uma âncora tão pesada.

Fica óbvio neste início que o foco seria no trio Waller, Pistoleiro (Will Smith) e Arlequina (Margot Robbie), pois estes personagens tem mais tempo de exposição já em suas apresentações. Nada diferente do esperado antes da estréia do longa.

SUICIDE SQUAD

Will Smith traz um Pistoleiro bastante diferente daquele que aparece em Arrow, menos sarcástico e canastrão, mais malemolente e centrado. Uma abordagem bastante cativante e fica até um pouco difícil enxergá-lo como vilão.

O mesmo ocorre para todos os personagens. A maioria não parece tão ruim para enxergarmos eles como vilões odiosos. Isso poderia ser ruim, mas como temos que nos importar com eles, considero uma decisão acertada.

A personagem que tem causado maior alvoroço desde o anúncio de Esquadrão Suicida, Arlequina, é com certeza o ponto alto do filme. Em um filme de clima mais sombrio e cinza, ela coloca cores essenciais, tanto em seu visual, como na excelente interpretação de Margot Robbie, que retrata muito bem todas as nuances da personagem, mostrando o ar apaixonado, quando com o Coringa, a diversão e bom humor nos diálogos e a agressividade nas diversas cenas de combate. Realmente excelente.

Arlequina, personagem criada para a animação do Batman dos anos 1990, conquistou diversos fãs em pouco tempo e seu desenvolvimento nos quadrinhos causa discussões acaloradas, seja por seu visual sexualizado, seja pela construção de uma relação abusiva com o Coringa.

O visual sexualizado foi mantido para o filme e muitos criticaram e continuarão criticando, principalmente por conta dos ângulos exibidos nos trailers, mas acredito que fora uma cena, nas demais o contexto permite essa abordagem, por parecer decisões que a personagem realmente tomaria.

A relação dela com o Coringa, em compensação, ficou bastante diferente, pois é apresentada como um amor focado na entrega total ao parceiro, sem muita avaliação de consequência e atingindo o limiar da loucura.

O Coringa de Jared Leto trazia uma grande pressão ao ator, pois os fãs esperavam algo digno dos intérpretes anteriores, principalmente comparando com Heath Ledger. Uma pressão natural. Independentemente de pressão, o corte do filme deixa de lado o Coringa, ele não está em foco, não é um filme dele. E as cenas que entraram no corte mostram um Coringa diferente e, infelizmente, fraco. Leto não convence, se perfaz de maneiras estranhas, beira o over-acting, uma pena. Fora que ele não é necessário para o filme e poderia ter ficado apenas nos flashbacks para montar a estória da Arlequina.

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Viola Davis dá um show no papel de Amanda Waller, uma personagem durona e extremamente capaz, que mostra toda sua habilidade em convencer o governo a investir na Força Tarefa X e em colocar os vilões nos devidos lugares, como peões em seu tabuleiro. Há também os momentos de fragilidade e medo, provando que Waller também é humana.

Os demais personagens do filme são secundários, sem tanto aprofundamento e pouco tempo de tela. Mesmo assim, agregam em diversidade de personalidades e poderes e habilidades exibidas nas cenas de ação. Menção honrosa para Katana (Karen Fukuhara) por terem exposto a personagem sem que ela dissesse uma palavra em inglês!

Como disse no início, tantos personagens trazem um desafio gigante, tanto para o roteiro quanto para a direção. Lendo sobre as dificuldades de produção e o curto prazo, acredito que David Ayer tenha feito um bom trabalho.

O argumento é bastante simples, Waller recruta os vilões e os envia em uma missão suicida e não os informa dos detalhes do inimigo que enfrentarão.

O roteiro consegue justificar bem as motivações dos personagens em boa parte do filme, mas acaba forçando um pouco a barra para fazê-los irem à batalha final. Nada que afete a diversão que o filme proporciona.

O grande pecado do filme está na montagem, ela assassina o clima e o ritmo do filme em diversos momentos. Alterna entre um clima sério e sombrio para um clima colorido e pop sem muita justificativa e pode incomodar um pouco os mais exigentes.

Assim como Batman vs Superman: Origem da Justiça, Esquadrão Suicida tem diversos defeitos e cumpre um papel importantíssimo na construção do universo DC nos cinemas, mas acerta em muitos mais pontos ao entregar um filme mais coerente e melhor amarrado, que diverte muito mais, sem perder a seriedade que é mais característica da DC. Aguardo um BluRay com a versão do diretor, que promete ser uma versão um pouco diferente desta e possivelmente ainda mais interessante.

Esquadrão Suicida estréia nesta quinta-feira 4 de agosto, nos cinemas, e com certeza merece sua atenção.

Trailer:

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Renato Sevegnani

Formado em Ciências da Computação, por culpa dos jogos de computador e da BBS/internet, com especialização em qualidade de sistemas e atuando com certificação de sistemas de pagamento. Chato e coerente-incoerente. Profissional em começar jogos e livros e nunca terminar a maior parte deles. Prefere uma boa estória à qualidade gráfica, jogos por turno a tempo real. Acha que FPS tem que ser com mouse e teclado e que sensores de movimento são legais. Fã de dinossauros, Nintendo, cultura japonesa, cinema, zumbis, GURPS e Vampire. Quando lendo, prefere estórias fantásticas às com base no mundo real.


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