[BGS 2018] Conversamos a Bloober Team sobre seu jogo Observer e o como eles fazem jogos de terror

A BGS 2018 já está acontecendo nesse exato momento, e há muita coisa para ver e jogar.

Caminhando pela Avenida Indie, encontramos um pequeno estande da Bloober Team, a desenvolvedora polonesa por trás de Layers of Fear. Nesse estande, estão disponíveis quatro consoles do Nintendo Switch, onde os atendentes da feira podem jogar Layers of Fear e Observer. Conversando com Katarzyna Cieszyńska, chefe administrativa da empresa, aprendemos um pouco sobre as propostas da Bloober Team a respeito de jogos de terror.

Segundo Katarzyna, muitos jogos de terror que estão no mercado atualmente são guiados pela ação, necessitando de destreza, reações rápidas e de memorização dos mapas e áreas do jogo para poder ser jogável, e eles frequentemente usam o jump scare como uma ferramenta para assustar o jogador. Enquanto isso não é algo que fazem os jogos de terror atuais ruins, essa fórmula se repetitiva apresenta um problema na diversidade do gênero. Buscando mudar isso, a Bloober Team busca desenvolver jogos de terror que apresentam: imersão, dilemas morais, histórias ricas para assustar o jogador. Para dar esse diferencial aos seus jogos, Katarzyna diz que a empresa busca inspiração de jogos como The Witcher, Assassin’s Creed, Dead Island e Two Worlds, encontrando o melhor dos jogos e procurando inserir isso nos seus.

Quem jogou Layers of Fear deve ter visto um pouco dessa ideologia da empresa a respeito dos jogos de terror, visto que o jogo conta uma história rica, mostrando o desenvolvimento do personagem e uma imersão um tanto perturbadora dentro de sua mente, sendo possível ficar carregado por ansiedade por conta do medo e da insegurança que passamos com o desenvolver da história. Enquanto Layers of Fear foi um jogo popular de relativo sucesso, Observer, também desenvolvido pela Boober Team, foi lançado em 2017, apresenta uma temática diferente do projeto anterior da empresa, porém é possível notar que ele segue o modelo, que está em processo de melhoramento pela equipe.

É seguro dizer por tentar mudar a fórmula dos jogos de terror e desenvolver algo diferente para seus projetos, a Bloober Team está criando experiências imersivas que inclusive jogadores que evitam os jogos do gênero justamente por conta das fórmulas que estão sendo usadas à exaustão. Com um pouco de sorte, seus jogos ganharão mais espaço e força e mudarão o gênero para o melhor.

Recomendamos fortemente que visitem o estande da Bloober Team na BGS 2018.

Layers of Fear está disponível para Linux, PC, OS X, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

Observer está disponível para Xbox One, PlayStation 4, PC e Nintendo Switch.

 

 

 

Impressões sobre Observer (Por Bruno Assis)

 

Na verdade, o jogo foi lançado em 2017, porém só para Xbox One, PlayStation 4 e Steam. Mas na feira o console usado para o jogo era o Switch.

O jogo segue bem o estilo de Layers of Fear, com um terror louco que desgraça com a sua mente e distorce os caminhos e cenários do game. O que se mostra para o jogador em um momento pode mudar de uma hora para outra sem aviso algum.

No caso, a experiência foi um pouco arruinada, pois o game tem cenários bem escuros, e uma luz atrás de mim incidia sobre a tela e, por vezes, atrapalhava a visão e me confundia ainda mais. Se você quiser, pode levar isso como um adicional de dificuldade.

Mas já que o foco é falar do game no switch, vamos lá. O controle foge do tradicional ao ter que usar o ZR para segurar as maçanetas e o analógico direito para abrir ou fechá-la. E o analógico do console se mostra muito falho para o controle da câmera. Se ele mal é movido, capaz da câmera nem se mexer. Porém, se você move demais, já passa do ponto que você deseja mirar, e isso é muito irritante.

Mas os elementos bons que consagraram Layers of Fear e a empresa estão ali bem presentes. Os puzzles exigem uma análise muito apurada do jogador de todo o cenário. E os elementos cyberpunk, arquétipo fictício que está em alta, estão muito bem representados e reforçam ainda mais o horror. Sem contar que ele vem todo legendado em português. Mais um ponto positivo para o jogo.

Talvez a minha dica ficaria em, comprem o jogo. Mas se você puder, compre em uma plataforma que não seja o console da Nintendo. Porém, se essa for a sua única plataforma no momento, ainda vale muito a compra.


Laura Giordani

Laura Giordani é uma historiadora e estudiosa de imagens e mídias viciada em jogos, filmes, HQs, livros, podcasts, RPG, animes e séries. Quando não está tentando desvendar os mistérios da História e sua relação com as novas mídias, ou tentando navegar pelo seu quarto debaixo de pilhas gigantes de livros, pode ser encontrada em um canto meio iluminado jogando algum título da série Final Fantasy, Diablo ou Pokemon. Seus interesses literários são vastos, porém há preferência pelos temas de fantasia, ficção científica, cyberpunk e terror. Suas mais notáveis habilidades são: ingerir dezenas de litros de cafeína sem ter um ataque cardíaco e tagarelar por horas sobre nerdices sem parar.


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