Análise | Life Is Strange 2 – Episódio 2: Rules

Life Is Strange já se tornou referência em jogos impactantes, que prende a atenção do jogador ao mesmo tempo que brinca com seus sentimentos, graças a um enredo firme e cheio de reviravoltas. Sua sequência chegou em Setembro de 2018, com a promessa de manter o que o primeiro começou. E após longos quatro meses de espera após o primeiro episódio, vamos ao segundo, lançado nesta quinta-feira (24).

Regras

É este o tema central que acompanha o episódio, e não por acaso, dá nome ao mesmo. E a primeira delas é lembrar que daqui em diante você vai encontrar spoilers do primeiro episódio, já que se trata de uma continuação direta dos eventos que ocorreram até então. Com isso em mente, talvez seja interessante jogar o primeiro episódio – bem como The Awesome Adventures of Captain Spirit, já que o personagem de Chris Eriksen também aparece neste episódio – antes de se aprofundar nesta análise.

A segunda das regras é que toda ação gera consequências, e esta é, provavelmente, a principal delas. Dando continuidade ao que se iniciou no primeiro episódio desta temporada, na pele de Sean Diaz, você é responsável por ensinar a seu irmão mais novo, o pequeno Daniel, sobre os perigos da vida na estrada, como se portar perante estranhos, e o que fazer em relação à sua mais recente descoberta, que nos aprofundaremos em instantes.

E a terceira regra que rege o universo de Life Is Strange é: não importa o quanto você se prepare emocionalmente, nunca será o suficiente para lidar com os eventos que acontecem ao longo da jornada, seja de Max, Chloe, ou, neste caso, Sean e Daniel. A fórmula já vista nos outros jogos da série – que consiste em agradar o jogador com uma mão e dar-lhe um soco no estômago com a outra – permanece aqui. Espere momentos de ternura seguidos por eventos trágicos, ou vice-versa.

Com grandes poderes…

O episódio começa exatamente com o vídeo “Previously on“, lançado na última semana pela Dontnod, que recapitula os eventos do primeiro episódio retratando a jornada dos irmãos Diaz na pele de filhotes de lobos, desde a sua fuga de Seattle, dos perigos que enfrentaram e da ajuda que receberam enquanto os irmãos tentam cruzar o país e chegar ao México.


A primeira coisa que se nota é a mudança de cenário – e de clima: o verde e vermelho de um outono em Seattle dá lugar ao branco e marrom do inverno nas florestas do Oregon, denunciando, também, a passagem de tempo entre um episódio e outro, tudo isso feito de forma magistral, mostrando as belas paisagens que mais parecem pinturas. É aqui também que se pode ver todo o poder gráfico da Unreal Engine 4, por exemplo, nos rastros deixado por Sean, Daniel e pela pequena Cogumela na espessa neve do local, que não desaparecem.


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A ideia de sobrevivência e fraternidade mostrada no primeiro episódio se mantém neste capítulo, mas um novo elemento entra em cena: Aqui Sean precisa ensinar o pequeno Daniel a controlar seus recém-adquiridos poderes telecinéticos, seja movendo pedras, se defendendo de bolas de neve e o que mais o jogador encontrar para testar sua nova habilidade.

Mais uma vez, vemos a relação fraternal entre Sean e Daniel se aprimorando, enquanto acompanhamos os irmãos tentando sobreviver à vida sozinhos na estrada. A cabana abandonada que encontraram no início do jogo esconde uma triste história, mas serve de abrigo por um tempo e proporciona momentos aconchegantes, até que a condição de Daniel os obriga a seguir em frente.

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A jornada dos irmãos Diaz os levam a Beaver Creek, ainda no Oregon – e (não) por acaso, cidade em que ocorre os eventos de The Awesome Adventures of Captain Spirit, amostra jogável do que estava por vir Life Is Strange 2 – onde moram seus avós maternos. E se até então esta nova temporada conversava profundamente com quem tinha irmãos, agora há um novo elemento de identificação: Quem nunca passou um tempo na casa dos avós? Pois é este tipo de experiência que se vê em boa parte deste episódio.

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As regras seguem presentes do início ao fim do episódio. Nos momentos iniciais, temos as regras da natureza e as regras sobre os poderes de Daniel; já aqui, quem dita as regras são os avós de Sean e Daniel, em relação a sua conduta dentro e fora de casa. Outra regra presente no jogo episódio inteiro é a do próprio gameplay: Na jogabilidade, tudo segue igual, ou quase. Agora a interação com Daniel permite que o jogador o faça usar seus poderes em situações diversas, ou não. Ainda no quesito gameplay, vale ressaltar que as ações tomadas em The Awesome Adventures of Captain Spirit são levadas em consideração neste episódio, que carrega seu save no spin-off gratuito, como veremos a seguir.

… Vêm grandes descobertas

O tempo passado na casa dos avós pode trazer grande nostalgia e conforto, na forma de atividades mundanas do dia-a-dia, como ajudar nos afazeres domésticos, ouvir as histórias do avô ou jogar jogos de tabuleiro em família até tarde da noite, mas também esconde segredos a serem desvendados pelos irmãos Diaz. Dentre as descobertas mais simples, é que os avós maternos de Sean e Daniel são vizinhos de Chris Eriksen, o Captain Spirit. Daniel e Chris logo se tornam bons amigos e estão sempre brincando, ficando Sean encarregado de investigar os mistérios envolvendo sua mãe, a família de Chris e o que mais acontece na pequena cidade, claro, dependendo das escolhas do jogador. Escolhas estas, que podem ter grandes consequências ao final do episódio, tornando única a experiência que cada um vai ter com o jogo.

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Conforto relativo

O episódio 2 de Life Is Strange 2 traz muito conforto e tranquilidade, na forma de um ritmo mais lento em comparação ao desespero do seu antecessor, dando muito mais foco às experiências do dia-a-dia do que à sensação de fuga em que os irmão se encontram, quase que resgatando um pouco da normalidade de uma vida que já deixou de ser normal. O ritmo mais lento fazem as três horas de jogo parecerem muito mais, o que pode cansar aqueles que querem jogar em uma única sentada, mas recompensa quem tira um tempo para explorar. A experiência em si tem seus altos e baixos, como momentos trágicos de deixar o jogador sem reação, e eventos altamente previsíveis e iminentes que tiram um pouco da imersão, além de pequenos problemas com iluminação, câmera e texturas que demoram para carregar ou descarregam durante algumas cenas. Tais problemas são contrabalanceados pela já mencionada belíssima identidade visual e pelo clima de identificação que o jogo traz, mas não tornam o episódio excepcional, por ser parte de uma história em andamento e não ter o impacto de novidade que o primeiro trouxe.

A mensagem final do episódio – e , por que não, da temporada em si – , entretanto, já se mostra bem clara: família e como suas ações afetam a vida das pessoas. Tal questão é o que faz o jogo permanecer com o jogador mesmo após largar o controle, e é o que torna Life Is Strange 2 tão especial.

O episódio 2 de Life Is Strange 2 já está disponível para PS4, Xbox One e Steam (PC). Confira nossa análise do primeiro episódio aqui.


Thiago Moreira

Leva a vida no modo hard, sem cheats, sem detonado, sem saber como joga, eternamente na fase que não sabe como passar. Tem como jogo favorito o magnífico Chrono Trigger, mas é apaixonado por Mega Man e Life Is Strange, adora jogos no estilo Metroidvania, e Souls Like. Além de videogame, gosta de RPG, animes, mangás, quadrinhos e quase tudo que orbita a cultura geek em geral.


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