Análise | Resident Evil 2 Remake reinventa clássico e traz uma experiência mais profunda

Reimaginar jogos clássicos é sempre uma tarefa delicada, principalmente em uma franquia como Resident Evil, que possui uma base de fãs gigantesca em todo o mundo.

Após o feedback positivo do público acerca dos Remake’s de Resident Evil 0 e 1, a Capcom deu um passo ainda mais ambicioso ao trabalhar no aclamado Resident Evil 2.

Por que mais ambicioso? A resposta está justamente na palavra “reimaginar”, citada no início desta análise, que resume o tão aguardado Resident Evil 2 Remake.

FOTOREALISMO E UMA NOVA PERSPECTIVA

A principal mudança do novo Resident Evil 2 com relação ao Remake de seus antecessores é, sem dúvida, a perspectiva da câmera, que abandonou seu aspecto fixo e está posicionada sobre os ombros dos protagonistas, Leon e Claire.

O que motivou a Capcom a abraçar essa mudança foi justamente o fotorealismo empregado ao game, graças ao grande potencial da RE Engine, que possibilita gráficos mais realistas e enaltece a modelagem dos personagens e dos monstros, tornando a experiência, digamos, mais pessoal.

As expressões de medo, desespero, raiva dos personagens, assim como as faces sem vida dos monstros, suas reações aos ataques e até mesmo o icônico MR X, nos entregam momentos únicos durante a jogatina.

O MESMO… MAS DIFERENTE

Uma das principais preocupações da comunidade quando Resident Evil 2 Remake foi anunciado e prometia mudanças, principalmente em seu enredo, foi no quanto a Capcom iria mexer em seu Core de forma a afetar negativamente momentos chave do clássico.

Posso dizer que a Capcom não só realizou estes ajustes de forma primorosa, mas também deu maior profundidade a alguns personagens e momentos que proporcionarão um misto de emoções ao jogador.

O cerne do jogo está ali, a diferença é que agora somos capazes de criar uma maior empatia até mesmo com personagens que aparecem brevemente.

Em um momento específico eu de fato me coloquei na situação apresentada e digo, me deu um nó na garganta ao pensar em como aquele personagem devia estar se sentindo.

Não apenas isso, partes do jogo antes consideradas surreais também foram reformuladas e estão com um aspecto mais crível, como prometido pelos produtores que afirmaram buscar o equilíbrio entre o real e o fantástico, sem abandonar a diversão proporcionada por um jogo.

Também temos algumas surpresas bem legais, ou não, que farão a adrenalina dos jogadores atingirem níveis estratosféricos.

DE VOLTA AS ORIGENS DO SURVIVAL HORROR… DE ACORDO

Ao longo dos anos, uma das maiores reclamações dos fãs foi a consequente redução do aspecto survival horror, devido as novas mecânicas de gameplay implementadas, mudanças de cenário e inclinação para o gênero de ação.

Em Resident Evil 7 vislumbramos um belo retorno as origens mas, em Resident Evil 2 Remake, apesar de ser a reimaginação de um clássico, isso se torna ainda mais evidente.

É perturbador andar pelos corredores escuros da delegacia apenas com uma lanterna e uma bereta, sem saber o que irá encontrar adiante… causa até mesmo claustrofobia em alguns momentos.

A câmera contribui bastante para ampliar estas emoções, principalmente quando vemos um zumbi tão próximo de nós, prestes a dilacerar nossa jugular.

Se você jogou o clássico de 1998 inúmeras vezes ao ponto de decorar a posição de cada monstro, pode tirar o cavalo da chuva, pois até mesmo estes momentos foram alterados, como a clássica aparição do Licker que, diga-se de passagem, está bem mais assustador e letal.

Quando achamos que as coisas não podem piorar, esperem até esbarrar com o MR X. A melhor palavra para descrever o momento seria… pânico.

O brutamontes de sobretudo e chapéu, após sua primeira aparição, irá te perseguir em cada canto da RPD e é possível sentir os batimentos cardíacos acelerarem a cada passo do monstro, que podemos ouvir a metros de distância.

Não há sensação melhor do que encontrar em uma sala de descanso onde nenhum inimigo pode entrar.

MECÂNICAS E PUZZLES

As mecânicas do jogo fluem e respondem muito bem, com ressalvas apenas em alguns problemas de movimentação da câmera, que as vezes se move mais rápido, ou mais lento do que o pretendido, fazendo com que o jogador erre um tiro certo.

O famoso inventário está de volta, nos moldes de Resident Evil 7, e durante a jogatina encontramos as famosas pochetes que ampliam a quantidade de slots para os itens que carregamos.

A icônica máquina de escrever para salvar o jogo e o baú para armazenar itens também retornaram, assim como os clássicos puzzles que, assim como os demais aspectos citados anteriormente, foram reformulados.

Temos inúmeros segredos que podem ser encontrados ao explorar minuciosamente os cenários e que podem trazer boas recompensas.

As armas característiscas de cada personagem, Leon com sua shotgun e Claire com seu lança granadas, também estão ali e sem dúvida são uma adição importante ao seu arsenal para passar uma maior sensação de segurança ao perambular pelos cenários.

CAMPANHAS COMPLEMENTARES

Assim como acontece no clássico de 1998, em Resident Evil 2 Remake temos as campanhas A e B para Leon e Claire.

Os cenários em cada uma delas é basicamente o mesmo, porém com algumas diferenças bem pontuais com relação a itens que precisamos coletar para avançar e é claro, no desenrolar do enredo que possui plots diferentes para cada personagem, onde Leon encontra a misteriosa e calculista, Ada, e Claire a doce e inocente, Sherry.

Não espere ficar tão confortável no cenário B por conhece-lo devido a jogatina anterior, pois pude sentir um leve aumento na dificuldade no que tange aos monstros encontrados, provavelmente para suprir essa familiridade com o ambiente.

UM PASSO IMPORTANTE PARA A FRANQUIA

Resident Evil 2 Remake não é importante apenas para definir se veremos ou não uma reimaginação de Resident Evil 3, Code Veronica, entre outros, mas como um tudo para a franquia.

O equilíbrio entre o fantástico e o real alcançado pelos produtores com esta obra é algo que irá ditar como os novos jogos numerados serão produzidos, tanto no aspecto narrativo, quanto de gameplay.

Ambos conversam de uma forma tão harmoniosa que, no momento em que escrevo esta análise, já estou ansioso para retornar ao jogo e reviver esta experiência. Se você é fã de Leon e Claire, com certeza ficará bem satisfeito com a jornada que está prestes a se iniciar em 25 de Janeiro.


Caio Nobre

Fã de Assassin’s Creed, espartano, parceiro de Kratos e Ezio e autor do #Xalala. Caio Nobre trabalha com tecnologia da informação, e não, não conserta impressoras. Embarcou no mundo dos games com o todo poderoso e mais foda console (chupem seguistas…kkk) Super Nintendo. Curte todo e qualquer conteúdo nerd como games, filmes, séries, HQ’s etc. É um amante de jogos de terror, #sqn, e tem uma grande afeição pelo carismático Slender.


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