A polêmica das lootboxes

Desde seu surgimento, em games free-to-play por volta de 2004, as lootboxes, ou caixas de recompensas, têm sido assunto polêmico entre os gamers. Criadas como modo de sustentar jogos que eram distribuídos gratuitamente, ao longo do tempo, foram conquistando a ganância das desenvolvedoras que hoje colocam o sistema em jogos pagos em preço cheio.

Um dos maiores exemplos, que acendeu toda essa discussão a nível jurídico em diversos países é a empresa Eletronic Arts (EA), que no seu game Battlefront 2, abusava das microtransações e lootboxes, que não continham apenas cosméticos ou pequenas melhorias, mas itens fundamentais para o gameplay, e até personagens jogáveis importantes, como Darth Vader. Com a visibilidade que a franquia Star Wars tem, hoje gerida pela toda poderosa Disney, a polêmica sai do mundo dos games e ganha nível político internacional.

Ao longo de 2018 diversos países se pronunciaram contra a prática de compras, e sorteios dentro de jogos e games como Counter Strike apareciam no topo das polêmicas, por terem sistemas muito parecidos com apostas, que inclusive viciam, como um jogo de azar. Diversos casos de pessoas que gastaram fortunas dentro dos jogos e até mesmo pais surpresos com a imensa fatura do cartão de crédito que os filhos usavam sem permissão para comprar skins de armas e personagens ganharam atenção da mídia tradicional nos últimos meses.

Países como a Bélgica tomaram uma forte posição contra a essas práticas, e algumas desenvolvedoras optaram por retirar seus games do país, para não precisarem se adequar às regras impostas, Kingdom Hearts Union X [Cross] cessará suas atividades no país no dia 6 de dezembro deste ano, Dissidia Final Fantasy Opera Omina em 19 de dezembro e Mobius Final Fantasy no dia 30 de novembro. Outros jogos como Overwatch e Counter Strike, irão retirar o sistema de lootboxes dos jogos, e o FIFA 19, colocará as probabilidades específicas para cada caixa comprada em relação a suas recompensas.

O Comitê Bélgico de Jogos apresentou um documento oficial em abril deste ano sobre diversos games e suas lootboxes, analisando se elas constituem aposta ilegal ou não, eu deixo o link para a tradução em inglês abaixo.

https://www.gamingcommission.be/opencms/export/sites/default/jhksweb_nl/documents/onderzoeksrapport-loot-boxen-Engels-publicatie.pdf

Ainda que aplicada de forma gananciosa por diversas empresas, o sistema de microtransações dentro dos games pode ser uma solução para evitar o aumento do produto final, os games vem custando 60 dólares no lançamento a quase uma década, sem contar o crescimento da inflação que qualquer moeda tem, o custo de desenvolver um game, não é hoje, o que era há 10 anos. As empresas precisam encontrar maneiras mais civilizadas de lidar com esse sistema, para que assim os jogos possam continuar dando lucro e custando 60 dólares e nós jogadores, não sejamos explorados de forma desrespeitosa.

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João Vinícius

Podcaster, filósofo de bar e pai de duas pequenas nerds. Escrevo pro Meia Lua e finjo que entendo de games no Super Drive Podcast.


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